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Liderança

Os quatro pivôs do RH e o seu ponto de inflexão

O RH vive um ponto de inflexão. Comento os quatro pivôs de Dave Ulrich e o que cada um significa para a área e para a sua carreira.

Profissional de RH em um momento de reflexão em um escritório movimentado

O RH vive um ponto de inflexão, e os quatro pivôs propostos por Dave Ulrich ajudam a enxergar o que muda para a área e, principalmente, para quem a conduz. Ulrich publicou há pouco um artigo com uma provocação certeira: a transformação do RH não acontece sem a transformação pessoal de quem faz RH. Li, reli e resolvi comentar aqui, com os pés fincados na nossa realidade. O que segue é a minha leitura dos quatro pivôs dele, com o que eu acrescentaria para o profissional brasileiro.

O que é o ponto de inflexão do RH

Ulrich parte de um diagnóstico conhecido. As condições externas, da inteligência artificial às mudanças demográficas, passando por economia e política, pressionam a área de gente a uma escolha. Ou o RH evolui e sobe de patamar, entregando mais valor, ou repete o de sempre e perde relevância. Não existe terreno neutro nessa curva.

A parte original vem depois. Para Ulrich, esse ponto de inflexão coletivo não se sustenta sem pontos de inflexão individuais. Cada transição de carreira, um cargo novo, uma nova empresa, um escopo maior, segue a mesma lógica dos quatro pivôs que ele propõe para a profissão. É por isso que o artigo fala tanto de RH quanto de quem trabalha com RH. Comento os quatro, um a um. Um aviso de leitura: o que vem a seguir mistura o que Ulrich escreveu com a minha opinião de quem acompanha o RH brasileiro de perto. Em cada pivô eu tento deixar claro onde termina a ideia dele e começa a minha.

Diagrama com os quatro pivôs do RH de Dave Ulrich: valores, identidade, competências e informação
Os quatro pivôs de Ulrich, do valor à informação.

Pivô 1: consistência de valores

Ulrich lembra que o RH deixou de apenas fazer a estratégia acontecer e passou a entregar valor a todos os públicos da empresa. No plano pessoal, o recado é manter os próprios valores firmes durante qualquer transição. E ele acrescenta uma ideia que anotei.

O propósito vem de quem servimos, não apenas de quem somos.

Meu comentário: passamos anos provando que o RH executa a estratégia. O próximo passo é perguntar a serviço de quem. Isso vale para a carreira também. Antes de aceitar a próxima cadeira, uma pergunta honesta mantém a gente no lugar certo. Isso ainda combina com o que acredito, e a quem meu trabalho vai servir? Quando a resposta é clara, a transição ganha chão. Quando é vaga, o cargo novo vira só um crachá diferente, e o desencanto chega rápido.

Pivô 2: integração de identidade

Para Ulrich, as iniciativas de RH, somadas, formam a identidade do departamento. No pessoal, uma transição não é um evento solto. Ela é um capítulo de uma história maior: a passagem de contribuidor individual para gestor, de gestor para executivo, de impacto na empresa para impacto na sociedade.

Meu comentário: aqui mora um erro clássico nosso. Tratamos promoção como a mesma pessoa com mais responsabilidade. Não é. Virar líder é trocar de identidade, não de lista de tarefas. Promovemos o melhor técnico e o deixamos sozinho para descobrir que agora o trabalho é feito através dos outros. É por isso que tanto líder de primeira viagem sofre nos primeiros meses. Em cada transição, vale a pergunta que o Ulrich sugere. Que história isso conta sobre mim daqui a três anos? Se a resposta empolga, siga. Se assusta um pouco, melhor ainda, costuma ser sinal de crescimento.

Pivô 3: evolução de competências

O terceiro pivô fala de subir o nível de competências, do departamento e da pessoa. Ulrich tem uma imagem certeira: os desafios que esticam, mas não quebram, são os que nos fortalecem. A ambição pode superar os recursos, desde que não por muito.

Meu comentário: os dados dão razão a ele. O Fórum Econômico Mundial mostra que as competências mais valorizadas mudaram, e a que mais cresceu foi liderança e influência social. O que diferencia hoje é cada vez mais comportamental, o território das soft skills. E o alerta de esticar sem quebrar é valioso para o RH brasileiro, que às vezes joga a pessoa na água funda sem colete e chama isso de oportunidade. Transição pede plano de desenvolvimento e rede de apoio, não só coragem.

Pivô 4: apoio da informação

No RH, diz Ulrich, a inteligência artificial traz informação e eficiência. No pessoal, a informação também orienta decisões, e vem de duas fontes: dados que antecipam o cenário e conselheiros de confiança que falam com franqueza sobre os riscos.

Meu comentário: a IA ajuda muito, mas na hora de uma virada de carreira o que mais informa costuma ser gente que te conhece e quer o seu bem. Dado sem conselho vira número solto. Conselho sem dado vira achismo. Para a próxima decisão importante, junte os dois: um bom indicador e um bom mentor. Não à toa, um bom programa de mentoria costuma ser o que segura gente boa em momentos de dúvida.

Como usar os quatro pivôs na sua próxima transição

A força do modelo do Ulrich está em virar pergunta. Os quatro pivôs deixam de ser teoria quando você os transforma em quatro perguntas para a sua próxima virada:

  • Valores: a quem meu trabalho vai servir, e isso combina com o que acredito?
  • Identidade: que pessoa este passo exige que eu me torne?
  • Competências: o que preciso aprender para dar conta, e onde vou aprender?
  • Informação: que dado e que conselheiro vão me ajudar a decidir melhor?

Quem responde as quatro com honestidade transforma uma decisão ansiosa em uma decisão pensada. E quem lidera pessoas pode usar as mesmas perguntas para apoiar quem está passando por uma transição, em vez de deixar cada um se virar sozinho. É aí que a leitura do Ulrich sobre a área encontra a prática do dia a dia, que é como a gente gosta de trabalhar aqui na Promova.

Na sua próxima transição, reserve trinta minutos e responda por escrito às quatro perguntas dos pivôs: a quem meu trabalho vai servir, que identidade este passo exige, que competências preciso desenvolver e de quem vou buscar dado e conselho. Decisão de carreira escrita pensa melhor que decisão remoída só na cabeça, e vira um roteiro que você revisita quando a insegurança bater.

Perguntas frequentes

O que é o ponto de inflexão do RH?

É o momento, descrito por Dave Ulrich, em que pressões externas como inteligência artificial, demografia, economia e política forçam a área de gente a evoluir e entregar mais valor, ou a perder relevância. Não há posição neutra: o RH sobe de patamar ou declina.

Quais são os quatro pivôs de Dave Ulrich?

Consistência de valores, integração de identidade, evolução de competências e apoio da informação. Ulrich os propõe para a profissão de RH e mostra que cada um tem um paralelo direto nas transições pessoais de carreira.

Como aplicar os quatro pivôs na minha carreira?

Transformando cada pivô em uma pergunta antes da próxima transição: a quem vou servir, que identidade preciso assumir, que competências preciso desenvolver e de quem vou buscar dado e conselho. Responder por escrito ajuda a decidir com mais clareza.

Fontes e referências

Para seguir o tema: líder de primeira viagem, pipeline de liderança, mentoria e soft skills.

Toda transição fica menos solitária entre pares. A comunidade Promova RH reúne profissionais de gente que estão, cada um a seu modo, atravessando seus próprios pontos de inflexão. Venha trocar o que a teoria não resolve sozinha.

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Escrito por
José Erlan Dias Alves

Fundador do Promova RH e criador da CGLC. Há mais de uma década na interseção entre base acadêmica e prática de gestão de pessoas.

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